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Sexta-feira, 1 de Junho de 2012

Rita Pereira: "Não sei porque sou sempre protagonista"

Rita Pereira admite que, quase a chegar aos dez anos de carreira, ainda não se sente atriz. Apesar do sucesso televisivo, receia que o fim possa acontecer a qualquer momento. Elogia as produções nacionais, mas lamenta a pouca criatividade dos autores, por falta de tempo. A atriz arrasta críticas sempre que fala ou aparece e sabe que, com esta entrevista, isso vai voltar acontecer. "É inveja, sim", afirma. Rita confidencia o que mudou na sua vida depois da morte de Angélico Vieira.

 

Rita Pereira admite que, quase a chegar aos dez anos de carreira, ainda não se sente atriz. Apesar do sucesso televisivo, receia que o fim possa acontecer a qualquer momento. Elogia as produções nacionais, mas lamenta a pouca criatividade dos autores, por falta de tempo. A atriz arrasta críticas sempre que fala ou aparece e sabe que, com esta entrevista, isso vai voltar acontecer. "É inveja, sim", afirma. Rita confidencia o que mudou na sua vida depois da morte de Angélico Vieira.

O que é Remédio Santo para si?

Viajar para um sítio quente e de preferência com familiares e amigos.

A Helena de Remédio Santo é o seu grande desafio nestes quase dez anos de carreira?

A Doce Fugitiva foi um grande desafio, foi a minha primeira novela como protagonista. Foi difícil porque estava nos meus ombros a responsabilidade da novela correr bem ou não. Na mesma altura estava a dar a Floribella, SIC, e foi um megaêxito. Disputar um lugar e audiências com a Floribella era muito complicado e isso foi uma grande responsabilidade. A Helena foi mais um marco de uma etapa da minha carreira. Penso que as pessoas começaram a ver-me mais como atriz e menos a menina querida que fazia novelas.

Mas acha que até agora o público não a via como atriz?

Eu mesma ainda não me vejo como atriz, é complicado dizer se as pessoas me veem ou não.

Com quase dez anos disto não se sente atriz?

Não. Contracenei nesta novela com atores como Manuela Maria, Adriano Luz, Nicolau Breyner, Margarida Marinho... Sou uma aspirante, tenho muito para aprender, vou subindo os meus degraus aos poucos, mas ainda não posso dizer que tenho uma carreira de atriz.

Quando espera chegar ao cimo da escada?

Não sei. Os atores estão sempre a aprender. A nossa vida leva-nos a fazer escolhas diferentes para cada personagem que fazemos. Estamos sempre a evoluir, na volta nunca vou lá chegar (risos). A Helena foi uma marca porque as pessoas começaram a abordar-me na rua, não tanto como "gosto muito de ti, és tão querida", mas mais "é tão mazinha, mas está a fazer um papel tão bom. Está a representar tão bem". Nota-se que conseguiram diferenciar a Rita da personagem. Aí, sim, as pessoas começaram a perceber que quero ser atriz e não sou só a querida que tem muitos fãs só porque faz papéis queridos. Quero que as pessoas me queiram ver a trabalhar e isso está acontecer agora.

Uma pessoa só se torna ator quando faz um papel de vilão?

Nunca vi as coisas por esse lado. Mas aconteceu comigo (risos).

Remédio Santo aborda temas como poderes sobrenaturais, o bem , mal... Acredita nisso?

Não sei. Respeito. Tenho respeito por aquilo em que as pessoas acreditam, mas mantenho-me um pouco à parte de tudo isso, do bem e do mal, do diabo e do anjo. Nunca refleti muito sobre isso, nunca quis conhecer muito...

Nem agora para fazer a Helena?

Não, porque o António Barreira (autor da novela) já navegava muito na maionese e não precisei de pesquisar nada. O que se vai investigar sobre o Diabo. Muitas vezes perguntava ao Barreira como é que ele queria que eu falasse com o Diabo? Como é que uma pessoa acredita que está a ser possuída e que o outro tem poderes? Tem de ser cem por cento imaginação, sou eu que tenho de criar aquele momento e fazer que as pessoas passem a acreditar no diabo, na santa e nos poderes mágicos.

Não é crente, pelo que percebo...

Sou batizada, os meus avós vão à Igreja e são católicos, cheguei a acompanhar a minha avó... se calhar às vezes benzo-me, ou agradeço a Deus, ou peço a Deus. Mas não sei, acredito que há mais uma força superior do que em Jesus Cristo.

Falou ainda há pouco de Manuela Maria, tem alguma referência na arte de representar?

Aprendi muito com a Margarida Marinho, já fiz três novelas com ela, em duas delas ela fez de minha mãe e uma vez de minha irmã. Sendo ela uma excelente atriz, inevitavelmente vou apanhando muito do que ela faz. Hoje a nossa química é brutal. Lemos o texto uma vez e acabamos por fazê-lo à nossa maneira. E se eu me esquecer ela acompanha, se ela se esquecer eu acompanho... Ela é uma grande referência para mim. E a Manuela Maria também...

A Manuela Maria foi diretora de atores dos Morangos com Açúcar quando a Rita fez de Soraia...

Sim, foi a primeira a dar-me nas orelhas, foi o meu primeiro contacto com uma grande atriz. E agora em Remédio Santo mais uma vez fiquei embevecida a olhar para ela a representar e todo o método de trabalho dela. A Manuela Maria não leva textos para o estúdio. Ela sabe tudo de cor, é incrível. Ela é muito assertiva nos caminhos que toma, nas escolhas que segue...

Ainda lhe deu na cabeça nesta novela?

Não (risos). Sempre que fazia cenas com ela, fazia questão de saber tudo certinho. Eu sei sempre os textos, mas acabamos por torná-los nossos. Com a Manuela Maria fazia questão de dizer a deixa certinha porque sei que ela se orienta por aí. Ela tem uma coisa muito engraçada, se um ator se cala, a dar um tempo, ela ataca, porque para ela o silêncio é deixa (risos). Ela não é aquela senhora de Remédio Santo, ela é uma mulher superdespachada, com imensas coisas para fazer. A Manuela Maria anda com um iPad, tem um sentido de humor genial, supermoderna.

Consegue dar-me um exemplo do que a atriz Margarida Marinho lhe ensinou?

No que ela mais me influenciou, foi no lado dramático, a maneira como ela sente... lembro-me de que em Dei-te Quase Tudo, em que contracenei com ela pela primeira vez, lhe perguntei como é que ela chorava tão facilmente. Ela deu-me umas dicas e sete anos depois ainda as uso. Ela sente mesmo o que está a dizer, não fica a olhar para um foco de luz para ver se lhe vêm as lágrimas. É muito complicado dar veracidade ao drama, porque, se se fingir que se está a chorar, fica falso e as pessoas percebem.

A Helena tem vários momentos de loucura, vende a alma ao Diabo... Sente mesmo o que está a representar?

Sinto. Já aprendi vários métodos de representação e num deles aprendi a pensar coisas que já tinham acontecido. Aqui, prefiro pensar no que está a acontecer e se me acontecesse como reagiria. Tenho de estar realmente desesperada, mas também tenho de pôr muita loucura. Se fosse eu, Rita, ficaria desesperada, mas não louca. É uma mistura de vários sentimentos

"Ser atriz nunca foi um sonho"

Queria ser bailarina quando era mais pequena. Foi um sonho que ficou na gaveta?

O meu sonho era dançar, ser atriz nunca foi um sonho. Adorava voltar a fazer musicais e saber cantar. Mas esse é dos únicos dons que a pessoa tem mesmo de nascer com ele. Por mais aulas que tenha não chego lá. Não é que goste de cantar, porque tenho noção que não tenho voz... mas a única forma de voltar a encontrar a dança é em musicais. Sempre que me convidam para projetos com dança, aceito. É como uma criança que acaba de receber um chupa-chupa.

Os seus pais sempre a apoiaram quando decidiu que queria ser atriz?

Sempre me apoiaram. Sempre me disseram para não deixar o curso e assim fiz. O meu pai, a minha irmã e a minha mãe são três mundos diferentes de crítica. É muito interessante sugar a crítica de cada um para continuar o meu percurso. Ouço-os muito e segui-os muito. Eles só não me seguem muito na televisão (risos). Vivem um bocado à parte deste meio. Não é que não gostem ou que não tenham orgulho em mim, mas felizmente não vivem nada isto. Os meus pais nunca disseram que eram os pais da Rita Pereira. Daí proteger muito a minha família e não gostar que eles apareçam porque eles não são os pais da Rita Pereira, são os meus pais. Têm a vida deles e a personalidade deles e não gostam de ser tratados de maneira diferente, e não quer dizer que seja positivamente.

Mas já aconteceu serem tratados de maneira diferente?

Acontece serem olhados de maneira diferente por serem da minha família.

Como foi parar à televisão? Começou na publicidade...

Apresentei um programa na SIC, o SIC Altamente (2001), para crianças. Comecei a trabalhar em publicidade, fiz muita, à Panrico, B limonada, Ferrero Rocher, Optimus, fiz muita publicidade para fora e para o Euro. Já nem sei qual, acho que 2004. Era uma das caras que apareciam pintadas. Tinha 22 anos.

Foi aí que conheceu a Cláudia Vieira...

Conheci a Cláudia na publicidade. Era muito engraçado porque éramos as mais batidas nos anúncios. Eu, a Cláudia, a Soraia Chaves e a Andreia Diniz. Íamos aos castings todos, lembro-me de que ia para a faculdade, ia ao casting para me inscrever, voltava para a faculdade e voltava de novo para fazer o casting. E muitas vezes eu e a Cláudia ficávamos como opção, por termos as mesmas linhas. Nós dizíamos sempre que se não ficasse uma tinha de ficar a outra. E depois trabalhámos juntas nos Morangos, foi muito giro. E às vezes fazíamos as duas a mesma publicidade...

Começou no Saber Amar, mas foi nos Morangos com Açúcar que se tornou realmente conhecida. Foi aqui que percebeu que afinal queria era ser atriz?

Acho que no final dos Morangos ainda pensei: "Faço mais uns anos disto." Acabei o curso ainda estava na série. Mas sinto que foi na Doce Fugitiva que decidi que era isto que queria fazer. É uma coisa que me enche, que me completa.

Tirou o curso de Comunicação e Publicidade. Ainda pensa exercer?

Vivemos num momento de crise. Mesmo tendo contrato de exclusividade, é algo que pode acabar a qualquer momento. Nestes últimos tempos, vivendo isso de perto, tenho pensado muito mais no curso. E se a representação não der, sem dúvida que tento seguir publicidade.

Mas porquê? Acha que a representação para si pode ter os dias contados?

Não sei. Por mais que um ator queira trabalhar, não somos nós que nos escolhemos para um papel, para um filme, para uma peça de teatro, uma novela. É sempre uma incógnita se se vai ter um próximo projeto ou não. E vejo atrizes muito boas, que trabalham comigo, com anos disto que não têm contrato e chegam ao final do projeto sem nada mais agendado. Olho para isso e penso que me pode acontecer a mim. Posso não ser exclusiva de um canal para sempre. Podem chegar à conclusão que não lhes compensa que eu seja exclusiva.

Mas acredita mesmo nisso?

Esta vida é feita de altos e baixos e felizmente tenho os pés muito assentes na terra em relação a isso. Nunca me achei nem me acho a última Coca-Cola do deserto e que por ser protagonista agora vou ser sempre protagonista. Ou que vou ser uma Margarida Marinho ou uma Alexandra Lencastre, que estão sempre lá em cima e que são sempre maravilhosas. Não, as coisas podem não correr bem, amanhã podem chegar à conclusão que já não vendo, que as pessoas já não gostam de me ver e metem-me de lado. Pode acontecer a qualquer pessoa.

Mas o nome Rita Pereira move muitos fãs...

Tenho noção que isso pode acabar. E ao longo destes nove anos tem-se visto. Já fui a Rita Pereira querida por todos, e a Rita Pereira que passou de bestial a besta e que, depois, subiu outra vez. Neste momento, estou bem, as pessoas adoram-me e estou a dar-me bem com a imprensa. Mas amanhã, se acontecer alguma coisa na minha vida, a imprensa já começa a dizer mal, as pessoas começam a criticar. E, se isso acontecer, posso ser preterida para um papel. Os protagonistas não são escolhidos apenas pelo seu acting, se são bons atores ou não.

Não?

São escolhidos muito pelas audiências que dão ao próprio canal, toda a gente sabe, não escondo isso, não meto uma manta. É a verdade. Há muito atores que não são bons e estão a trabalhar, e há excelentes atores que não estão a trabalhar. Porque não são tão vendáveis. Quando olho para o Carlos Areia fico triste. Ele é muito bom e não está a trabalhar. Mas porque não lhe dão oportunidade de ele se tornar vendável? Acho que as pessoas podem tornar-se vendáveis quando estão no ecrã.

Tendo consciência disso, a Rita fez alguma coisa para isso acontecer?

Não. Muitas vezes, e isto é mesmo verdade, pergunto-me porquê eu? Podia ter sido qualquer pessoa que estava nos Morangos. Não fiz mais do que eles, e nem era protagonista. A personagem começou a subir aos poucos. Não tenho explicação sobre o porquê de neste momento ser sempre protagonista.

Tem uma estrelinha?

Se calhar... os meus pais dizem isso.

A Rita não se ficou apenas pela fama e popularidade que conquistou. Investiu em cursos e workshops de representação. Sentiu que tinha de provar alguma coisa ou fez por si?

Só tinha feito teatro amador. Agora já fiz muito mais do que muitos atores que por aí andam. Foi por mim, porque ao longo destes anos e com os cursos que já fiz, fui-me apercebendo de que só dizia falas. Lia as falas. A Soraia dos Morangos era a Rita a ler falas, não quer dizer que aquela personalidade fosse a minha, mas adaptava-me às falas. Hoje já não é assim. Quando estive a estudar três meses em Los Angeles, durante os primeiros dois meses, os professores só me diziam "estás a representar". E eu só pensava que tinha sete anos disto e afinal não valia nada. Estava a fazer tudo errado. Este curso mudou a minha forma de representar e se calhar isso refletiu-se na Helena. Senti dentro de mim que o meu método de trabalho foi muito diferente e a maneira como estudei também. Só deixei de ouvir "estás a representar" no último mês, foi muito bom chegar lá.

Também estudou no Brasil...

Sim, com a Fátima Toledo, foi dos cursos que também mais gostei. Ela punha-nos a fazer de animais, a fazer figuras ridículas, a pensar nas estrelas e quase a dormir... mas são coisas que ao fim de algum tempo, e conforme a maturidade, vamos percebendo que fazem sentido. Não o fazer de animal, mas sentirmo-nos à vontade em qualquer situação. E isso refletiu-se em RemédioSanto. Achava-me ridícula a fazer as coisas que o Barreira escrevia. Sentava-me várias vezes e dizia ao realizador que não sabia fazer. Como é que vou fazer para mandar um raio com as minhas mãos? E criei eu aquela cena.

O que sobra do tempo em que fez de Soraia?

Sobra a vontade, a determinação e o querer sempre aprender mais, querer melhorar e saber que quero sempre fazer melhor.

Leva nove anos de carreira na representação. O que acha da evolução da ficção?

Melhorou muito. Os Emmy que Laços de Sangue e o Meu Amor ganharam são reflexo disso. Apesar de gravarmos muito intensamente, se as novelas fossem feitas com mais tempo e mais dedicação, não sendo muitas vezes um produto de venda, conseguiríamos ter mais qualidade. Mas quando queremos e são feitas com tempo e paciência, tenho a certeza de que temos tão bons técnicos, tão bons realizadores e tão boas equipas como há lá fora. Não temos é tanto tempo. Conheci uma atriz mexicana quando estive em Miami que era como eu no país dela, fez o mesmo tipo de novelas... têm é um mercado muito maior. Percebi que era igualzinho, eles trabalham mais horas porque têm de acabar o plano, nós aqui não. Nós temos de começar às nove, eles começam mais tarde e têm uma hora e meia de almoço. Nós temos trinta minutos. Demoram meia hora em cada cena e nós, às vezes, demoramos cinco minutos... o tempo extra faz a diferença. Mas a verdade é que o México não ganhou um Emmy e nós temos dois.

Mas em que se nota a evolução?

Os atores têm arriscado muito mais no tipo de cenas que fazem e na grandiosidade de cada cena. Rebentar com aviões, destruir três carros numa só cena e fazermos uma novela no Brasil, arrancarmos outra na Índia. Isso é arriscar.

Mas isso já foi há mais de três anos. Atualmente já não há esse investimento...

Pois não. Não há tanto investimento em irmos para fora, mas continua a haver nas grandes cenas, principalmente nos primeiros e últimos episódios. Sinto isso. Ainda temos helicópteros a passar, as gruas... e tudo isso são custos adicionais. Continuamos a ficar em excelentes hotéis. Parece ridículo, mas são estas pequenas coisas que fazem que o ator se sinta melhor e faz-nos perceber que sabem que estamos a fazer um esforço para que as coisas continuem no mesmo caminho e que melhorem.

José Eduardo Moniz diz que há muita falta de criatividade nas novelas. Concorda com o antigo diretor-geral da TVI?

(Longa pausa) Óbvio que a TVI não tem arriscado tanto nos argumentos. O Remédio Santo é um caso à parte porque teve uma história muito diferente do que foi visto e, se calhar, mostrou que a criatividade ainda vende. Agora, os triângulos que são criados, os casais que são separados e que depois se voltam a reencontrar... isso é uma certeza de que o produto vai ter audiência. Nisso concordo com o José Eduardo Moniz. Mas não é só a TVI, é a SIC e todos os produtos. Tendo a base e a fórmula, eles deixam que os argumentistas criem. Não é só culpa de quem escreve, o produto é pedido e é direcionado para um objetivo. É um conjunto. Os atores são os que têm menos culpa nisso tudo.

Os atores ainda são o melhor da representação?

Sem dúvida e não é estar a criticar a equipa do Barreira. Eles têm de escrever um episódio por dia, e muitas vezes não há tempo para os episódios serem revistos. E nós, atores, acabamos por dar aquele clic que, se calhar, na altura da escrita não apareceu. Um grande exemplo disso é a personagem do Rodrigo Menezes. A personagem dele não era aquilo, era muito mais clean, todas as expressões e tiques são dele, não foi nada do que o Barreira tivesse escrito. O Rodrigo transformou por completo a personagem dele e para mim é o melhor boneco da novela, porque ele não tem nada que ver com aquilo. Sento-me em casa a vê-lo e mando-lhe mensagens. O Rodrigo é o exemplo de que o ator pode tornar a sua personagem uma grande personagem mesmo sem estar escrito.

Fez o mesmo com a Helena?

Criei muitas coisas na Helena e propus muitas coisas ao Barreira que ele aceitou. O meu pai tem um aluno que é espanhol e pedi-lhe dicas para palavras que pudesse utilizar quando estivesse zangada. O Barreira já queria que ela fosse louca, mas acho que a transformei. Quis fugir muito à personagem de Joana Santos, a Diana, em Laços de Sangue. A Joana fez um trabalho brutal e a vilã dela foi inesquecível, e de repente vejo-me com uma vilã, a começar ao mesmo tempo que a Joana.

Lá está... os ingredientes são os mesmos...

Sim, daí dizer que não é só a TVI. Refleti muito, tinha de fugir da personagem da Joana, pensava: "Tenho de fazer diferente." E acho que consegui. Acabei por ver a novela de propósito só para a ver e para conseguir fugir. Elas não têm que ver, a Joana era mais falsa, a Helena era aquilo, não fingia, não queria saber se as pessoas gostavam dela ou não.

Já espreitava a concorrência?

Sim. Tento sempre ver o início de cada projeto, seja um programa de entretenimento, de ficção, sejam os Morangos agora... também para perceber quem está a fazer. É importante porque posso, sem querer, fazer uma personagem igual à outra e não saber que essa pessoa está a fazer assim. É bom vermos os trabalhos dos nossos colegas também por isso. A representação são opções que nós tomamos. Posso dizer uma frase de sete maneiras diferentes. Se calhar as dez pessoas que vão comigo fazer um casting vão dizer da mesma maneira porque é a que fica melhor, mas eu quero arriscar, mesmo correndo o risco de não ficar com o papel. Com a Helena aconteceu isso, tive muita coragem por arriscar.

Gosta de dar os seus bitaites?

Gosto. Mas ouço muitos os realizadores. Não deixo de discutir uma opção e já fiquei com a Margarida Marinho e o realizador a discutir uma cena. E até ligámos ao Barreira. Muitas vezes não concordamos porque não percebemos o que é que o autor quer dizer. Discuto bastante o que defendo, mas, se o realizador não concordar e der outra opção, se eu concordar, sem dúvida que sigo a ideia dele. A humildade de cada ator na forma como recebe as indicações dos técnicos e o trabalho em equipa é muito importante no que se está a fazer.

O que sentiu quando a novela Laços de Sangue também ganhou um Emmy?

Muito orgulho, mesmo. Mandei uma mensagem à Gabriela (Sobral) a dar-lhe os parabéns e à Patrícia Sequeira. A equipa que fez Laços de Sangue foi a mesma que trabalhou comigo em Doce Fugitiva, senti um enorme orgulho de Portugal ter ganho outro Emmy.

Nunca pensou numa carreira lá fora?

Já pensei muitas vezes numa carreira internacional. Quando estive em LA, perdi todas as esperanças de lá trabalhar porque vi excelentes atores numa batalha diária infindável, como a Leonor Seixas, a quem tiro o meu chapéu. Já lá está há três anos, e nos três meses que vivi com ela vi que vai todos os dias a castings, tem trabalhos, mas nunca é certo. Ela é uma excelente atriz, cá, estava no topo e deixou tudo para ir para lá. É muito difícil conseguir, é preciso muita coisa. Perdi a esperança, mas não, contudo, a de ir para o Brasil.

E isso está para breve?

Não sei. Não tenho projetos lá nem propostas. Não tentei, já sondei o mercado e percebi que gostava bastante de trabalhar no Brasil.

Tinha coragem de deixar a carreira aqui e começar tudo do zero?

Não tinha coragem de ir à luta nos Estados Unidos, mas tinha coragem para deixar tudo aqui e entrar numa novela da Globo, nem que fosse para servir um copo de água de vez em quando. Não é o protagonismo que me enche as medidas, é o facto de estar a trabalhar. Não me importava nada de ser a rapariga que só entra às vezes para ir abrir a porta. Queria conhecer um novo mundo e uma forma de trabalhar que se calhar é diferente.

Críticas não a incomodam

Porque é que a o nome Rita Pereira arrasta tanta crítica? Qual é a sua culpa nisso?

(pausa) Gostava de poder responder a essa pergunta. Mas não sei. As pessoas começaram a interessar-se mais por mim e pela minha vida pessoal quando comecei a namorar com um ator e também figura pública (Angélico Vieira), e isso trouxe interesse porque as pessoas sabiam quem era o meu companheiro e quem é que estava ao meu lado. Criaram uma história de como será a vida deles para além das novelas. Nunca demos entrevistas juntos, fizemos uma vez uma reportagem para o Só Visto, RTP, os dois a passar um dia na Quinta das Lágrimas. A imprensa apercebeu-se de que as pessoas queriam saber da nossa vida e entrou um pouco de mais. Eu, ingenuamente, deixei-me levar. Quando cresci e percebi que não podia dar tanto já era tarde. Mas agora tenho 30 anos, 9 de carreira, e já sei lidar com a imprensa, sei até onde posso ir e quero continuar a colocar os obstáculos e a abrir as portas que quiser.

Mas não é só a imprensa, há muitas pessoas que mesmo na sua página do Facebook a criticam...

Isso aconteceu muito por causa da produção da Playboy. Não tinha muitas pessoas a entrar por aí. Sei que tenho muitas pessoas que não gostam de mim, que têm lá o like só para ver o que ando a fazer. Mas às tantas recebia as críticas e tinha outros fãs a defenderem-me. Houve uma fã que escreveu: "Rita, independentemente do que tu digas ou faças, vais ser sempre criticada." Foi uma fã que me disse, e vi que até uma fã vê isto, não sou eu que estou maluquinha e acho que me estão a perseguir.

É inveja por ter sucesso, ser bonita, estar na televisão e ter dinheiro?

Os que criticam sempre que digo publicamente que é inveja, revoltam-se e querem convencer-se a si próprios que não é inveja. Mas é inveja, sim. As pessoas têm inveja de mim. Não estou a dizer que sou muito boa atriz ou que fotografo muito bem, aceito críticas, mas construtivas. Dizerem que eu estraguei a Playboy porque apareci vestida é ridículo. O projeto foi-me entregue assim, não fiz exigências para não estar nua.

Voltava a fazer a produção se fosse hoje?

Voltava a fazer a Playboy igualzinha, com a mesma equipa, as mesmas fotos, as mesmas roupas. Adorei.

Dinheiro nenhum pagaria a sua nudez nesta altura?

Não, porque a seguir a fazer essas fotos vou continuar a trabalhar em Portugal e a mentalidade portuguesa não está preparada para receber uma protagonista de uma novela toda nua. O Brasil está preparado, Portugal não.

Há quem aceite tirar a roupa para revistas masculinas como forma de ganhar protagonismo. Mas a Rita já tem que sobre. O que é que ganhou com esta produção? Além das críticas...

Fiz questão de fazer o contrário. Queria marcar a posição enquanto atriz e pessoa. Queria que as pessoas me conhecessem, percebessem que não quero ser vendável pelo meu corpo e imagem, mas sim pelo que faço e pelos trabalhos que conquisto. Conquistar o meu espaço sem ser preciso ir pelo lado físico. Daí ter demorado tanto a fazer uma produção deste tipo.

Mas, afinal, quem é Rita Pereira?

Costumo dizer que sou aquela pessoa quando se cruzam comigo na rua. Não entro em pose, não fico preocupada se estou despenteada, se tenho isto ou aquilo vestido, nunca ando maquilhada. Não tenho problema que as pessoas me vejam cruamente como sou. Em termos de personalidade, odeio responder a essa pergunta... dizer que sou simpática e humilde... é uma falta de modéstia muito grande. Muitas vezes, a pessoa responde o que gostava de ser e não o que realmente é. Posso dizer que, e já sei que vou ser criticada, a frase que mais ouço no final de cada produção que faço das pessoas com quem trabalhei é: "Afinal, tu não és nada do que me disseram que tu eras." Seja de atores ou de técnicos. Ainda continua a haver, mesmo no meio, pessoas que querem transformar a minha personalidade naquilo que não sou.

Mas não se dá com as pessoas do meio?

Obviamente que tenho pessoas de quem gosto mais e de quem gosto menos, e tenho a minha personalidade vincada. Se não gosto daquilo não vou fazer, se não gosto daquela pessoa não lhe vou dizer olá. E não digo mesmo. Para que é que vou estar a ser falsa? Há pessoas que me dizem que é uma questão de educação. Não é, para mim é uma falsidade. Não me tento adaptar às pessoas, tento ser eu mesma adaptando-me às situações.

Acabou de gravar a novela e pouco tempo depois começou a gravar uma série policial... É um género que prefere? A TVI devia apostar mais em séries?

Adorava. Foi o meu primeiro contacto com séries, nunca tinha feito, fiz Casos da Vida - Noivas de Maio, mas a forma de trabalho era igual ao de novela. O método de trabalho é o que qualquer ator gostaria de ter numa novela, mas sabemos que é impossível. Gravava seis cenas por dia para a série, chegava a casa, lia as cenas e podia estudá-las mais profundamente porque tinha tempo. E isso faz diferença, podemos seguir vários caminhos. Adorava que o público português tivesse o hábito de ver mais séries portuguesas, talvez assim houvesse mais séries.

Não acha que as pessoas já estão um bocadinho fartas de novelas?

Não (risos). Exemplo disso é o que ouço na rua. A novela está no ar e as pessoas sabem que estou de férias e o que me perguntam é quando começo a fazer a próxima novela. Podem estar fartas de ver três novelas de seguida. Se calhar a TVI podia optar por uma novela e uma série e talvez fosse tão vendável como as novelas.

 

Fonte: JN

publicado por *Patricia* às 23:50
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